A sífilis, infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, continua representando um desafio para a saúde pública. Em 2026, foram registrados 899 episódios de sífilis na população geral, sendo 395 em gestantes e 94 casos de sífilis congênita, quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê.
Em resposta a essa situação, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) de Sergipe, através da Diretoria de Vigilância em Saúde, realizou uma capacitação nesta sexta-feira, 12 de junho, voltada para profissionais de saúde que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS), Vigilância Epidemiológica, maternidades e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). O treinamento abordou temas como vigilância, diagnóstico e manejo adequado dos pacientes com sífilis.
Durante a capacitação, um dos principais tópicos discutidos foi a sífilis congênita. Apesar da disponibilidade de diagnóstico e tratamento eficazes, os casos de transmissão vertical da sífilis ainda permanecem altos em Sergipe. Entre janeiro e junho de 2026, foram contabilizados 94 episódios de sífilis congênita, e em 2025 houve 313 casos. O aumento na taxa de sífilis na população geral também é preocupante, com 2.186 casos registrados em 2025 e 1.627 em 2024.
De acordo com a referência técnica da sífilis da SES, Lourdes Lima, a alta taxa de sífilis congênita está relacionada à recusa de tratamento por parte dos parceiros das gestantes, levando à reinfecção e à transmissão vertical da doença.
"Com essa capacitação, buscamos que os profissionais se atualizem quanto ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno da sífilis, especialmente nas gestantes. O nosso foco é prevenir a transmissão vertical, assim como fortalecer a assistência prestada à população. A sífilis, quando tratada, tem cura. Por isso é tão importante que tanto a gestante quanto o parceiro, quando diagnosticados, realizem o tratamento correto para que não haja reinfecção. Precisamos quebrar essa cadeia de transmissão", destacou.
Em 2025, das 1.288 gestantes diagnosticadas com sífilis, 720 parceiros não foram tratados. Neste ano, dos 395 casos de gestantes com a infecção, 208 parceiros recusaram o tratamento. Portanto, é fundamental que as equipes da APS realizem busca ativa destas gestantes e de seus parceiros.
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O infectologista e diretor de Vigilância em Saúde da SES, Marco Aurélio, também enfatizou a importância do manejo clínico nas maternidades.
"A nossa capacitação também tem o intuito de melhorar o cuidado com a gestante e o recém-nascido. É fundamental que a maternidade consiga avaliar se essa mulher foi tratada adequadamente ou se precisará de novas doses de medicação. Mesmo após o tratamento, ao chegar à maternidade, ela passa por novo exame e o recém-nascido também é avaliado. Vamos focar nesse tema, entendendo que a sífilis congênita também é uma das causas da mortalidade infantil", ressaltou.
A enfermeira da Atenção Primária à Saúde do município de Indiaroba, Moara Oliveira, também comentou sobre a importância da capacitação.
"Esse treinamento faz com que nós, profissionais que atuamos diretamente na área, estejamos capacitados para realizar ações de investigação de forma correta e coerente, de acordo com o que o Ministério da Saúde determina e com o que a população precisa", frisou.
A sífilis é transmitida por meio de relações sexuais desprotegidas e pode apresentar sintomas como pequenas feridas nos órgãos sexuais e manchas nas palmas das mãos. A prevenção inclui o uso de preservativos, a realização adequada do pré-natal e testagens regulares para ISTs. O tratamento é realizado com penicilina, podendo variar de uma única dose a esquemas de até seis aplicações.
Todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do país oferecem testes rápidos para sífilis de forma gratuita, com resultados disponíveis em cerca de dez minutos, destacando a importância da detecção precoce.





Fonte: Saúde – Sergipe
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