No dia 3 de junho, será celebrado o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, destacando um crescente problema de saúde pública no Brasil e a necessidade de prevenção desde os primeiros anos de vida.
Dados do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o Brasil poderá ser, até 2030, o quinto país do mundo com mais crianças e adolescentes obesos. O estudo alerta que, se não forem tomadas ações efetivas, as chances de reverter essa situação são apenas de 2%.
O Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente, com base nas informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) de 2025, revela que o Brasil registrou 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade grave. Isso representa 8,94% das crianças de 0 a 9 anos com obesidade e 5,97% com obesidade grave nessa faixa etária.
Em Sergipe, os dados parciais de 2025 mostram que 34% das crianças de 0 a 9 anos apresentam excesso de peso, o que equivale a 34 em cada 100. Foram registrados 59.809 casos de excesso de peso infantil no estado.
“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce”, destaca a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), dra. Mariana Grigoletto.
No mesmo período, conforme o SISVAN, 8.230.705 crianças apresentavam peso adequado, representando 62,80% do total. Embora a maioria esteja dentro da faixa adequada, cerca de 37% das crianças avaliadas apresentam algum grau de alteração nutricional, incluindo excesso de peso e obesidade, o que reforça a necessidade de estratégias preventivas desde a infância.
As consequências da obesidade infantil incluem aumento do risco para doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão, além de impactos psicológicos, como baixa autoestima e maior exposição a situações de bullying.
“É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore”, ressalta dra. Mariana.
A prevenção da obesidade infantil requer a adoção de hábitos saudáveis. A pediatra recomenda manter uma alimentação balanceada, com maior consumo de alimentos in natura e redução de ultraprocessados e bebidas açucaradas. Além disso, é essencial praticar atividades físicas regularmente e limitar o tempo em frente a telas.
“Formar hábitos saudáveis desde cedo é crucial para evitar o desenvolvimento da obesidade e outras doenças associadas. Embora a predisposição genética possa influenciar, os hábitos de vida e o ambiente têm papel fundamental na prevenção e controle da obesidade infantil”, afirma dra. Mariana Grigoletto.
As alterações nos padrões alimentares têm refletido nos indicadores de saúde e nutrição do país. Informações do SISVAN mostram que as crianças estão consumindo cada vez mais alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas.
“Na prática clínica, a obesidade infantil raramente ocorre isoladamente. Ela está diretamente relacionada aos hábitos alimentares e ao ambiente em que a criança vive. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia podem ter um impacto duradouro na saúde física e emocional da criança”, conclui dra. Mariana.


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