Levantamento aponta que 33,47% dos jovens de 16 a 24 anos nunca participaram de eventos com artistas locais, presencialmente ou online. Em Sergipe (351,4 mil jovens), o Instituto JCPM realizou o Conexão Juventudes para aproximar públicos da produção cultural local.
Uma pesquisa revelou que 33,47% dos jovens brasileiros entre 16 e 24 anos nunca participaram de eventos com artistas locais, seja presencialmente ou online. No Brasil, 98% desse público consome cultura, mas o acesso à produção local é limitado, especialmente em Sergipe, onde residem 351,4 mil jovens. Essa desconexão cultural foi abordada pelo Instituto JCPM, que promoveu atividades em comemoração ao Dia Internacional da Juventude, com foco no tema “Identidade: entre raízes e futuro coletivo”.
A programação do Conexão Juventudes, que também ocorreu na Bahia, Ceará e Pernambuco, culminou em um encontro no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju. O evento teve como objetivo criar um espaço de diálogo e expressão, onde os jovens foram incentivados a refletir sobre suas identidades e o futuro que desejam construir.
Durante o encontro, 105 jovens participaram de painéis com o pesquisador e artista Severo D’Acelino e a historiadora Carine Mangueira, além de oficinas de crochê, máscaras africanas, live painting e apresentações culturais, como teatro e dança. O projeto tem a premissa de que o futuro é construído a partir do diálogo com a ancestralidade, que é vista como uma ferramenta social e cultural essencial para fortalecer vínculos.
“Percebemos que muitos jovens não têm o hábito ou a oportunidade de visitar um museu ou participar de um evento cultural presencial. A ideia do Conexão Juventudes é justamente criar esse território de fortalecimento: articular arte, cultura, educação e cidadania para que cada um se reconheça na própria história”, disse a coordenadora de Gestão e Articulação Social do IJCPM Aracaju, Danielle Santana.
Antes do evento no museu, os participantes exploraram a capital em um tour histórico, que começou no Largo da Gente Sergipana e terminou na comunidade Maloca, um dos quilombos urbanos reconhecidos no Brasil. Essa atividade foi precedida por oficinas de teatro, dança e fotografia, todas centradas na cultura local. Os jovens puderam vivenciar a importância do território na formação de suas identidades.
“Eu danço há 11 anos, mas nunca com esse traço cultural. Não conhecia nem os cantores da nossa trilha sonora. Descobri ritmos, passos e muitos artistas sergipanos durante as aulas. Esse aprendizado eu vou passar para minhas alunas. Vou plantar novas sementes”, afirmou Luzia Nataly Santos, aluna da oficina de dança.
O encontro também recebeu estudantes do Centro de Educação Básica Auxiliadora Paes Mendonça (CEBAPM), de Ribeirópolis. A estudante Maria Luísa Menezes, 14 anos, teve a oportunidade de visitar o Largo da Gente Sergipana pela primeira vez e participar das reflexões propostas. “Foi muito inspirador ouvir sobre a importância de conhecer as nossas raízes para nos conhecermos. Também tive contato com manifestações da cultura sergipana que não conhecia”, destacou.
De acordo com o estudo “Juventudes: Um Desafio Pendente”, publicado em 2024 pela Friedrich Ebert Stiftung (FES), 88% dos jovens brasileiros acreditam que o futuro será melhor que o presente, mas apenas 6% consideram a cultura uma prioridade nas políticas públicas, em comparação com 55% para emprego e 46% para bem-estar social.
“Quando a gente conhece as nossas raízes, a gente se encontra. Ocupem os espaços, mas ocupem com presença. A memória é construída agora”, aconselhou a historiadora Carine Mangueira.
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