Bebeça do Arraiá cresceu entre tambores e foguetes e se tornou referência viva da cultura junina. Pescador artesanal, ele carrega décadas de tradição popular no coração do São João sergipano.
José Domingos dos Santos, conhecido como “Bebeça do Arraiá” ou “Bebeça da Batucada”, nasceu em 5 de dezembro de 1954 na região do Caminho do Porto, em Estância. Ele é um pescador artesanal com um sorriso cativante e um vasto conhecimento da cultura popular, sendo um contador de histórias excepcional. Proveniente de uma família de pescadores e fogueteiros, seu irmão, Tonho Lixa, foi um famoso fogueteiro. Bebeça é reconhecido como um mestre na promoção da cultura do ciclo junino.
Desde jovem, Bebeça teve contato com a cultura local, construída nos barracões de fogo e ao som dos tambores das batucadas. Em 1976, ele construiu um barracão de palha de coqueiro e bambu, onde estabeleceu o maior e mais famoso Arraiá de forró da cidade e região. Este espaço popular atraía um grande público, sendo um local que promovia a verdadeira cultura do forró. As ruínas de sua antiga construção, agora em alvenaria, são lembranças de um passado vibrante que ainda ressoam na memória coletiva da comunidade.
“Aqui se fundem para mim lembranças felizes e um sentimento de desilusão”, afirma Bebeça sobre o que restou de seu barracão de forró.
Em 1987, Bebeça fundou a histórica “Batucada Navegante”, também conhecida como “Batucada do Bebeça”, seguida pela “Batucada Quebra Coco”. Essas criações foram inspiradas nas antigas batucadas de figuras como Zé Gaiatinho e Valdemar Grageru. Sua abordagem coletiva e popular atraiu diversos batuqueiros da cidade, consolidando sua posição como um importante mestre da cultura popular.
Nos anos 1980, durante as festividades de São João e São Pedro, Bebeça liderava um grupo de homens, conhecidos como os navegantes, que carregavam tambores e busca-pés. Eles se reuniam na praça da igreja central, imersos em uma batalha cultural, celebrando com versos rimados e muita animação. A atmosfera festiva, marcada pelo cheiro da pólvora, era um reflexo da vibrante tradição cultural que ele ajudou a manter viva.
Bebeça é considerado um patrimônio vivo da cultura junina, uma figura que não pode ser esquecida. Seu legado cultural o torna imortal, colocando-o ao lado de grandes mestres das tradições juninas, como Enoque dos Santos e Zé Vermelho. O reconhecimento de sua importância pela comunidade lhe conferiu o título de “mestre da cultura popular”, garantindo que sua memória e contribuição sejam celebradas, especialmente nas festividades de São João.
Assim, ao acender as fogueiras neste São João, a comunidade reafirma seu compromisso em manter viva a história e a cultura que Bebeça representa, desafiando o esquecimento e celebrando a rica tradição popular.
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