Os eventos climáticos extremos têm se tornado cada vez mais frequentes e intensos em diversas regiões do planeta. Entre os fenômenos de maior relevância para o Brasil destaca-se o El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Embora ocorra a milhares de quilômetros de distância, seus efeitos influenciam significativamente os padrões de chuva e temperatura em várias regiões brasileiras, especialmente no Nordeste.
Em Sergipe, o El Niño está associado, na maioria dos episódios, à redução das chuvas, ao aumento das temperaturas e à ampliação dos períodos de estiagem, principalmente nas regiões do Alto Sertão, Médio Sertão e Agreste. Seus reflexos atingem diretamente a agricultura, a pecuária, o abastecimento de água, a construção civil e diversos segmentos da economia estadual.
Estudos desenvolvidos pela Universidade Federal de Sergipe demonstram que os eventos de El Niño alteram significativamente o regime pluviométrico estadual. Os impactos são mais severos nas regiões semiáridas do interior, onde ocorre redução da precipitação, diminuição da umidade do solo e aumento da evapotranspiração.
O Alto Sertão sergipano figura entre as áreas mais vulneráveis, apresentando reduções expressivas dos volumes de chuva durante episódios intensos do fenômeno.
Já o litoral e a região sul do estado tendem a sofrer impactos menos intensos, embora também possam registrar alterações nos padrões climáticos habituais. Além da redução das chuvas, o El Niño provoca temperaturas mais elevadas, ampliando o consumo de água, pressionando reservatórios e aumentando os riscos de queimadas e degradação ambiental.
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O século XXI já registrou diversos períodos críticos de estiagem em Sergipe. A Grande Seca de 2012 a 2017, considerada a mais severa e prolongada estiagem da história recente do Semiárido brasileiro, provocou perdas agrícolas, redução de rebanhos, colapso de pequenos sistemas de abastecimento e queda dos níveis dos reservatórios. O período acumulou sucessivos anos com chuvas abaixo da média e foi amplamente influenciado por eventos climáticos associados ao El Niño, especialmente entre 2015 e 2016. Depois, tivemos a estiagem de 2023 e 2024, que foi durante o forte El Niño de 2023-2024, onde diversas áreas do sertão sergipano voltaram a registrar agravamento das condições de seca.
A agricultura é um dos setores mais sensíveis às oscilações climáticas. As principais culturas afetadas em Sergipe incluem milho, feijão, mandioca, hortaliças e fruticultura irrigada. A redução das chuvas compromete a germinação, o desenvolvimento das plantas e a produtividade das lavouras. Pequenos produtores familiares são particularmente vulneráveis, pois dependem das chuvas regulares para garantir a produção e a renda.
A pecuária também sofre com a diminuição das pastagens, aumento do custo da alimentação animal e redução da produção leiteira. Os territórios do Alto Sertão e do Agreste Central concentram os maiores impactos socioeconômicos decorrentes das secas prolongadas.
A construção civil também sofre impactos relevantes, pois durante períodos de seca prolongada podem ocorrer aumento do custo da água utilizada nas obras, redução da disponibilidade hídrica para concretagem, maior incidência de fissuras e recalques em solos sujeitos à contração, além do aumento do risco de incêndios em áreas urbanas e periurbanas.
O enfrentamento dos efeitos do El Niño exige planejamento de longo prazo. Entre os principais investimentos estratégicos para Sergipe destacam-se segurança hídrica, ampliação de adutoras, construção e recuperação de barragens, interligação de sistemas de abastecimento e perfuração de poços em áreas críticas.
O El Niño representa um dos fenômenos climáticos mais relevantes para Sergipe. Sua influência sobre o regime de chuvas, as temperaturas e os recursos hídricos afetam diretamente a agricultura, a pecuária, o abastecimento de água, a construção civil e diversos setores econômicos. A capacidade de adaptação do estado dependerá cada vez mais de uma combinação de ciência, planejamento, gestão pública eficiente e participação da sociedade.
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