A crise que afetou a rentabilidade da citricultura brasileira não deve interromper o avanço da atividade no Nordeste, mas exigirá maior eficiência dos produtores. Essa é a avaliação do engenheiro agrônomo José Hugo Campos de Lima, organizador do Citros Show Nordeste, que ministrou uma palestra durante o evento realizado em Aracaju, nos dias 12 e 13 de agosto.
Segundo ele, o cenário atual de preços pressionados e custos elevados poderá provocar mudanças na cadeia produtiva, mas também pode abrir espaço para a ampliação da competitividade da citricultura nordestina. A região possui características que podem representar vantagens em relação a desafios enfrentados pelos principais polos produtores do país.
Entre os fatores destacados está a condição fitossanitária. José Hugo aponta que, em comparação a outros polos, como São Paulo e Mato Grosso, o Nordeste enfrenta menor pressão de algumas pragas e doenças. Isso resulta em uma redução da necessidade de tratamentos e, consequentemente, dos custos de produção.
“São Paulo e Mato Grosso têm problemas que exigem tratamentos de custo elevadíssimo. O cobre, por exemplo, é uma commodity que não tem relação apenas com o setor agrícola. Se ele estiver em alta por causa da construção civil, o produtor também vai pagar mais caro pelo tratamento”, explicou.
A localização geográfica também é um fator de competitividade. A proximidade dos portos facilita o escoamento da produção e reduz as distâncias em relação a mercados consumidores de suco de laranja. “Estamos mais próximos da Europa e dos Estados Unidos, que são polos consumidores”, destacou.
Além disso, a disponibilidade de mão de obra é mencionada como uma vantagem do Nordeste, embora José Hugo reconheça a necessidade de qualificação dos trabalhadores. Ele acredita que a crise deve selecionar produtores mais eficientes, sendo que aqueles que controlarem custos e mantiverem eficiência operacional conseguirão atravessar o período de preços pressionados.
“Os eficientes vão passar. Alguns dos menos eficientes vão sair, mas a citricultura nordestina vai continuar firme e forte e crescendo”, afirmou.
O especialista ressalta que a capacidade de permanecer no mercado não depende necessariamente do tamanho da propriedade. Pequenos produtores também podem ser competitivos se tiverem um bom controle de custos e organização na produção.
“Não é o pequeno, o médio ou o grande que vai sair. Vai ter pequeno que vai ficar porque tem capacidade de controlar custos e organizar a produção, e vai ter grande que vai sair porque não é organizado. Simples assim”, ressaltou.
Diante das incertezas, a principal recomendação aos produtores é combinar planejamento, controle financeiro e busca permanente por eficiência. Para o especialista, a crise exige que os citricultores reavaliem os custos da atividade e adotem estratégias que preservem a rentabilidade.
“É ajustar o orçamento, pensar firme no que pode ser feito daqui para a frente, buscar melhorias e ser eficiente. A mensagem é essa: seja eficiente. Se você fizer um bom produto, vai se dar bem”, concluiu.
O Citros Show, realizado em Sergipe, destacou a importância do estado na produção de laranja no Nordeste e no país. O evento reuniu produtores, pesquisadores e empresas para discutir os impactos da crise sobre a cadeia citrícola, abordando temas como manejo, mercado, controle de doenças e pragas, tecnologia e mecanização da colheita.
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