André David diz que a agiotagem, com lei de 1951, se modernizou e migrou para redes sociais e facções. A promessa de dinheiro rápido tem transformado o socorro em endividamento e violência entre famílias vulneráveis.
O delegado André David destacou a crescente preocupação com a agiotagem em Sergipe, enfatizando o impacto negativo que essa prática tem causado na vida de muitas famílias. Com uma legislação datada de 1951, a agiotagem se adaptou, migrando para as redes sociais e se infiltrando em facções criminosas. A promessa de dinheiro rápido e sem burocracia, que inicialmente parece um socorro financeiro, frequentemente se transforma em um pesadelo para a população, especialmente para aqueles em situação de vulnerabilidade.
A prática, que antes era vista como uma informalidade local, evoluiu e agora é uma das fontes mais lucrativas do crime organizado no estado. Os agiotas tradicionais deram lugar a organizações criminosas que utilizam os empréstimos abusivos não apenas para explorar, mas também para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Essa nova realidade gera um ciclo de extorsão, ameaças e violência extrema, impactando diretamente a vida de trabalhadores informais, aposentados e pequenos comerciantes.
“Essa é uma realidade que precisamos falar sem meias palavras. A agiotagem hoje só pega até 2 anos de prisão, e o cara sai andando, com o dinheiro que tirou de famílias desesperadas. Enquanto isso, tem gente sendo ameaçada, perdendo a casa, o comércio, e em casos extremos, perdendo a vida”, afirmou o delegado.
André David argumenta que a fragilidade das normas atuais serve como um incentivo à criminalidade. Ele aponta que o risco de punição é mínimo em comparação aos lucros obtidos através da exploração da vulnerabilidade alheia, o que torna urgente a atualização do Código Penal e das leis relacionadas para refletir a gravidade da agiotagem violenta.
“Segurança pública não é só bandido preso. É família que consegue dormir tranquila sem medo de ser ameaçada. A atual legislação é frágil, protege os agiotas e as facções criminosas”, explicou.
Para enfrentar essa situação, há um movimento crescente no Congresso Nacional em favor do Projeto de Lei nº 3.329/2026. Essa proposta visa atualizar a lei de 1951, aumentando a pena para agiotagem para até 6 anos de reclusão e tornando o crime inafiançável. O projeto ainda propõe agravantes para aumentos de pena, caso o crime seja cometido por facções ou através de ferramentas digitais, além de estabelecer canais de denúncia sigilosos.
“Eu já me comprometi que em Brasília vou combater com coragem o crime de agiotagem. Na Câmara, já tramita um projeto de lei que aumenta a pena para o agiota em até 6 anos, bloqueia os bens e cria canal de denúncia sigiloso”, finalizou o delegado.
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